
O início da década de cinquenta foi um período ingrato para os artistas sem ligações ao regime. Terminadas as exposições oficiais (S.P.N./S.N.I.) em 1951, sem compradores que garantissem a sustentabilidade dos expositores das Exposições Gerais de Artes Plásticas, que terminariam em 1956 e sem um mercado autónomo — que não chegou, sequer, para manter em funcionamento a experiência da Galeria de Março, aberta entre 1952 e 1954 — os artistas enfrentaram um breve período de desamparo profissional que, ainda assim, não comprometeu o aprofundamento de inovadoras experiências no domínio estético.
A segunda metade da década viu surgir a Fundação Calouste Gulbenkian que viria a ter, logo nesse momento e nas décadas seguintes, um papel insubstituível no apoio à arte contemporânea e aos artistas e foi determinante para uma certa revolução a que se assistiu na década de 60. Quatro factores foram fulcrais na sua actuação: a organização das Exposições de Artes Plásticas, que, apesar da criticada abertura na escolha dos artistas — que incluía uma grande quantidade de académicos de trabalho anacrónico — permitiu mostrar e premiar uma nova geração cujo trabalho se distinguia; o início da publicação da revista Colóquio em 1959, que permitiu a abertura de horizontes estéticos e a maturação da reflexão crítica; a aquisição regular de obras a artistas contemporâneos para a criação de uma colecção, que se desdobraria pouco depois em proveitosas itinerâncias, pelo país e pelo estrangeiro e, provavelmente o mais importante dos quatro, a criação de bolsas de estudo e de aperfeiçoamento que, a partir de 1957 levaram inúmeros artistas a estadias proveitosas no estrangeiro.
O alargamento de horizontes foi o factor mais relevante da década de sessenta, mudaria irreversivelmente o panorama artístico nacional, mesmo que uma parte considerável dos artistas tenha optado por permanecer no estrangeiro findas as bolsas. A maioria dos pedidos de bolsa destinou-se a Paris, reforçando uma tradição que vinha de Novecentos, mas a perda de centralidade artística da capital francesa, desencadeada pela fuga de talentos originada pela segunda guerra mundial, levou a que alguns artistas optassem por procurar formação em Londres e em Nova Iorque.