12. Pluralidade pós-moderna

Cabrita, A Casa dos Murmúrios, 1990, Fundação de Serralves

1983 marca, mais do que simbolicamente, o início de uma nova era na arte em Portugal. A inauguração do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, que veio colmatar a antiga e muito sentida falta de um museu de arte moderna em Portugal, e a exposição Depois do Modernismo, que teve o mérito de criar um consenso generalizado sobre a liberdade e a diversidade das expressões individuais, definitivamente libertas das narrativas dos modernismos e das vanguardas, cerziram um tecido artístico-social e legitimaram uma miríade de práticas que, no seu conjunto, tinham apenas em comum uma ânsia de liberdade que se coadunava com a euforia de crescimento económico que animava o país.

A segunda metade da década viu nascer inúmeros espaços de exposição dedicados à produção contemporânea, destacando-se o trabalho de Luís Serpa que, na continuidade da exposição Depois do Modernismo cria a galeria Cómicos, comprometida com os artistas mais arrojados do nosso panorama e trazendo a Portugal artistas estrangeiros de relevo, e culminando em 1989 com a Fundação de Serralves, estatutariamente comprometida a erigir um museu de referência e a contribuir com empenho para o alargamento da colecção do Estado.

A encomenda pública também foi um factor dinamizador desta época. O projecto mais visível e ambicioso partiu do Metropolitano de Lisboa, que incluiu um ambicioso programa decorativo, tanto das das novas estações que marcavam a expansão da rede, como da remodelação que foi levada a cabo nas estações originais, mas muitas câmaras municipais seguiram o exemplo de Lisboa e criaram encomendas relevantes para obras no espaço público.

Do ponto de vista estético, o principal traço deste tempo é precisamente a ausência de unidade. A arte em Portugal libertou-se definitivamente dos espartilhos estilísticos e mesmo os grupos organizados que surgiram, como os Homeostéticos, caracterizavam-se pela liberdade individual, por uma partilha de princípios abstractos que de modo nenhum se reflectiam em unidade plástica.

Leonel Moura
North Territory, 1987
Fotografia, ferro, vidro
Colecção do Estado em depósito em Serralves
Leonel Moura
S/Título (Amália # 6,) 1987
Papel Fotográfico e Ferro, Fotografia e Tinta acrílica
Colecção Gulbenkian
Pedro Portugal
Eucalipto Homenagem, 1991
BMW 316i, Eucalipto globulus (12m)
Pedro Portugal
Sem título, 1989
Tinta acrílica sobre tela
Colecção Gulbenkian
Pedro Portugal
Sem título, 1990
Serigrafia sobre papel Fabriano
Colecção Gulbenkian
Pedro Casqueiro
Sem título, 1985
Tinta acrílica e colagem sobre tela
Colecção do Estado em depósito em Serralves
Pedro Casqueiro
Galeria, 1997
Tinta acrílica sobre tela
Colecção Gulbenkian
Pedro Proença
S/ Título (desenho de Natal) 1999
Papel,Ecoline e Tinta-da-china
Colecção Gulbenkian
Pedro Proença
Sempre os Mesmos e as Mesmas, 1991
Cartolina, Tinta-da-china
Colecção Gulbenkian
Pedro Calapez
Sem título, 1995
Papel Fabriano, Serigrafia
Colecção Gulbenkian
Pedro Calapez
Sem título, 1984
Desenho sobre papel
Colecção da Fundação de Serralves
Rui Sanches
Sem título, 1991
Aglomerado e Contraplacado
Colecção Gulbenkian
Rui Sanches
Sem título, 2000
Contraplaca dode tola
Colecção Gulbenkian
Rui Sanches
Tiroliro, 1988
Madeira e Aço
Colecção Gulbenkian
José Pedro Croft
Sem título, 1993
Madeira e Gesso
Colecção Gulbenkian
José Pedro Croft
Sem título, 1986
Mármore
Colecção do Estado em depósito em Serralves
José Pedro Croft
Sem título, 2010
Ferro, vidro, espelho
Colecção da Fundação de Serralves
Pedro Cabrita Reis
Compound group # ??, 2007
Aço
Colecção Berardo
Pedro Cabrita Reis
A Casa dos Murmúrios, 1990
Mármore
Colecção da Fundação de Serralves