10 . Arte-vida

Alberto Carneiro, Operação Estética em Vilar do Paraíso - versão amarela, 1973, Fundação de Serralves
Alberto Carneiro, Operação Estética em Vilar do Paraíso – versão amarela, 1973, Fundação de Serralves

A década de 1970 levou ao extremo a radicalização das experiências e o aspecto onde isso se fez sentir com maior intensidade foi a materialidade das obras. O crescimento da respeitabilidade da fotografia que, por esse tempo, passar a ser tida em conta como medium artístico de pelo direito, o mesmo acontecendo com o filme, primeiro com as manejáveis câmaras de película de 8mm e, depois, com a popularização do vídeo (que, apesar de tudo, tardaria a implantar-se em Portugal), abriu a possibilidade de prolongar no tempo acontecimentos que, de outro modo, não conseguiriam ultrapassar a efemeridade e acabariam por ser pouco consequentes e, ainda menos, conhecidos. Este novo paradigma tecnológico desencadeou a proliferação de obras desmaterializadas que, assim, garantiam a permanência e a continuidade através do registo e da sua disseminação. Happenings e performances, frequentemente no espaço público ou em localizações inusitadas, atraíram os artistas menos acomodados e implicaram o público de uma forma directa, como até então não tinha acontecido. Muitas vezes a destruição das obras fazia parte do projecto e acabavam por sobreviver apenas em registo.

Foi neste ambiente que se concretizou o desejo, muitas vezes expresso já desde década anterior, de estabelecer uma relação profunda e intensa entre a arte e a vida, uma relação que, na sua plenitude teria por consequência a reconfiguração dos lugares de cada um dos intervenientes, passando a conferir ao artista um papel mais interventivo na sociedade.

A década de 70 fica marcada pelo papel dinamizador e aglutinador de Ernesto de Sousa que, para além de muitas outras iniciativas de menor dimensão, mas não menor importância, organizou a exposição Do vazio à pró-vocação, em 1971, e aquela que viria a ser a mais disruptiva e marcante exposição da arte portuguesa, a Alternativa Zero, em 1977. Estas iniciativas representaram o apogeu de um movimento colectivo na arte portuguesa e alargaram, não só o universo do público, mas, especialmente, as modalidades da sua entrega à fruição artística.

Leonel Moura
Potlatch ou a Morte do Artista, 1979
Papel Fotográfico, Colecção Gulbenkian
Jorge Pinheiro
Partitura para um canto livre, 1976
Pautas de música, estantes (7 elementos), Colecção da Fundação de Serralves
Alberto Carneiro
Uma floresta para os teus sonhos, 1969
Troncos de madeira de pinho tratados
(Vista de Alternativa Zero)
Alberto Carneiro
Uma floresta para os teus sonhos, 1970
Troncos de madeira de pinho tratados, Colecção Gulbenkian
Alberto Carneiro
Trajeto dum Corpo 1976
Fotografia p/b (46 elementos) e fotografia a cores (2 elementos)Ed. 2/2, Colecção da Fundação de Serralves
Clara Menéres
Mulher-Terra-Vida 1977
Acrílico, terra, relva
Ana Hatherly
Rotura (performance na galeria Quadrum), 1977 
Arquivo Fernando Aguiar
Ana Vieira
Ambiente – Sala de Jantar 1971
Rede, prato em loiça, copos de vidro, faca em inox, madeira pintada de branco, nylon pintado a spray azul e algodão pintado. Colecção Gulbenkian
Ana Vieira
Ocultação/Desocultação, 1978
Tijolos, letra em vinil, Colecção Gulbenkian
Ana Vieira
Mesa-Paisagem, 1973
Mesa de madeira, pintura a spray sobre tecido, metal, cerâmica, tecido e objectos (1 prato, talheres, argola de guardanapos, guardanapo, areia, barco). Colecção da Fundação de Serralves
Ernesto de Sousa, Noronha da Costa e outros
Encontro do Guincho, 1969
Helena Almeida
Tela rosa para vestir 1969
Fotografia p/b, Colecção da Fundação de Serralves
Helena Almeida
Sem título, 1967
Tinta acrílica sobre tela, volumes em tela pintada a tinta acrílica dentro de bolsa de PVC.
Colecção da Fundação de Serralves
Helena Almeida
Sem título, 1968
Tinta acrílica sobre tela e madeira.
Colecção da Fundação de Serralves
Helena Almeida
Pintura habitada, 1975
Tinta acrílica sobre fotografia p/b.
Colecção da Fundação de Serralves
Helena Almeida
Tela habitada 1976
Aparite e Cartão, Fotografia.
Colecção Gulbenkian
Helena Almeida
Ouve-me 1979
Vídeo Super 8, Vídeo DVD e Vídeo VHS
Colecção Gulbenkian